Vulcão Planchon. Em busca do Crowd Zero.

Viajar é minha vibe. A descoberta de novos lugares,  culturas, paisagens, tudo me fascina. Sim, eu adoro estar num mercado lotado, cheio de aromas, cores, vibrações. Ou numa praça curtindo um caos cosmopolita. E até naquele museu em que é preciso todo cuidado para não ser literalmente “pisoteado”. Mas é na natureza que eu encontro meu momento verdadeiramente sublime.

Quando criança, eu costumava subir para o telhado de casa e ficar sozinho observando as estrelas. Também tinha o hábito de caminhar até a praia e me deitar, no fim da tarde, curtindo a brisa quando não havia mais praticamente ninguém por ali. Talvez venha mesmo desde a infância minha busca pelo “crowd zero”. Aquele momento em que você chega a um lugar afastado, longe das multidões e em que, mesmo por poucos momentos, sensações inexplicáveis tomam de conta.

Mais cedo eu contei no post “Um Passeio de Bicicleta pelas Vinícolas de Curicó, no Chile” como nos deleitamos de bike por vínicolas dessa linda região que fica a 200 km de Santiago, no Chile. Mas diferente de um passeio tranquilo com direito a degustações de bons vinhos, o dia seguinte reservava uma experiência realmente desafiadora.

O Vulcão Planchón faz parte do complexo vulcânico Planchón-Peteroa e com seus 4107 metros de altura é um dos muitos vulcões ativos do Chile. Está localizado a 100km de Curicó, na fronteira com a Argentina, lugar conhecido como “Paso Vergara”, onde só é aconselhável chegar de carro 4×4. Para ir até lá, contei novamente com o apoio do Mark, da Alpaca Ciclismo , que me pegou as 8:00 no hotel para iniciar a aventura.

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Povoado de Los Quenes, no caminho para o Paso Vergara

Chegando no Paso Vergara, era hora de pegar as bikes e enfrentar as 4 horas de subida. Um verdadeiro desafio, mas que a cada instante revelava lindas montanhas e picos nevados. Éramos os únicos por toda a trilha, com tudo aquilo para desfrutar.

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A divisa Chile/Argentina corta as montanhas, fica difícil até identificar quando começa e termina cada país.

Na verdade eu não tinha preparação para subir de bike, e acabei fazendo a maior parte do trajeto empurrando a bike morro acima, ou seja, se tivesse subido caminhando teria sido até menos difícil. Mas a vantagem é que a descida seria toda no modo “downhill” com emoção!!!

Depois de algumas horas eu fiquei bastante cansado, comecei a sentir caimbras, e além de tudo começou a nevar. Mas faltava apenas meia hora e eu continuei firme. Logo a seguir, ele estava ali, majestoso. O Vulcão Planchón surgia bem na minha frente, com o lago formado pelo degelo de suas encostas completando um visual sensacional.

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Minha primeira visão do Vulcão “El Planchón”

Tinha menos de 1 hora para voltar porque estava nevando e isso comprometia a segurança da nossa aventura. Mas desci até a lagoa e aproveitei intensamente cada instante. Sentimento que não dá pra explicar. Conforto, paz, uma imersão espiritual na natureza intocada pelo homem. Crowd Zero vulcânico a 4.000 metros. Puro delírio para os aficionados.

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Pertinho do Colosso

A volta foi bem rápida, mas eu precisava ter muita atenção. A bike pegava bastante velocidade no meio do cascalho, e qualquer deslize o penhasco estava a somente 1 ou 2 metros da trilha. Mas minha história com o Planchón não acabou. Um dia quero voltar para subir até a cratera desse gigante.

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