Islândia Dia 1. Heimaey, a Pompéia do Norte

Você consegue imaginar acordar em plena madrugada e ter que abandonar rapidamente sua casa, pois rios de lava estão vindo em sua direção? Foi exatamente isso que aconteceu com os cerca de 5000 moradores da pequena ilha de Heimaey, no sul da Islândia, às 2 horas da madrugada do dia 23 de janeiro de 1973. Naquela noite, o vulcão Eldfell brotou da terra, iniciando uma erupção que durou 5 meses e mudou radicalmente a paisagem da ilha e a vida de todas aquelas pessoas.

Heimaey tinha seu sustento na pesca, e mais cedo, durante o dia, os barcos não haviam conseguido sair devido às más condições do tempo. Foi exatamente esse detalhe, como que por milagre, que permitiu que os moradores utilizassem esses barcos para evacuar rapidamente a ilha, sem nenhum óbito.

Mas a luta dos moradores contra o vulcão estava apenas começando. Durante os meses que se seguiram, a erupção foi se aproximando perigosamente do porto. Caso a lava cobrisse a enseada, não haveria mais condições para que a população voltasse a viver na ilha.

O que se viu em seguida foi uma verdadeira luta do homem contra a natureza. Centenas de moradores e volutários despejaram um total estimado de 6 milhões de metros cúbicos de água do mar contra o fluxo de lava, que parou a exatamente 100 metros do porto, após soterrar completamente 400 casas, o que fez a ilha ficar conhecida como “Pompéia do Norte“.

Visitar a ilha de Heimaey e subir os 221 metros do vulcão Eldfell era uma das grandes atrações de nossa viagem pela Islândia, e foi o primeiro passeio que fizemos. Foram 170 km de carro do Start Hostel, em Keflavik, até o Porto de Landeyjahofn. De lá, pegamos o ferry para o Porto de Vestmannaeyjar, serviço oferecido pela Eimskip (Ferry para a Ilha de Heimaey), e que dura apenas 35 minutos. Também é possível ir de avião desde a capital, Reykjavik, embora seja muito mais caro. Mais informações em (Como chegar em Westman Islands).

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Porto de Landeyjahofn e a prainha de “areia negra”. Ventos fortes trazem cinzas do Vulcão Eyjafjallajökull.

O Porto de Landeyjahofn fica perto do Vulcão Eyjafjallajökull, que ganhou fama mundial depois de entrar em erupção em 2010. A nuvem de cinzas gerada pela erupção teve como consequência um caos aéreo na Europa, com 107 mil vôos cancelados e prejuízo de 200 milhões de dólares, afetando um total de 10 milhões de passageiros.

Sim, por aqui as cinzas do Eyjafjallajökull ainda dão as caras, e quando os ventos estão muito fortes, elas chegam a cobrir o estacionamento do porto, fechando as operações!

 

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É possível chegar na Ilha de Heimaey de ferry ou de avião.

A rápida viagem de barco já revela os encantos da região. Heimaey é a única ilha habitada de Westman Islands, arquipélago de 15 ilhas de origem vulcânica, e que não costuma fazer parte do roteiro de uma primeira viagem à Islândia. Mas ainda no barco eu já fiquei hipnotizado pelas belezas das ilhotas, um cenário que de certa forma me lembrou dos “limestones rocks” que eu havia conhecido há poucos meses na Tailândia. Nessa hora, fazia um sol delicioso.

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Ilhotas de Westman Islands
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Visual chegando no porto.

Chegando no porto, era hora de começar a caminhada. A ilha é pequena e são poucos minutos até o início da trilha. A subida até a cratera do Vulcão Eldfell é classificada como fácil, é gratuita, não exige a contratação de um guia, e pode ser feita por qualquer pessoa que não tenha limitações de locomoção. Do porto, já era possível avistar nosso alvo.

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Vulcão Eldfell

Há várias caminhos diferentes para chegar até a cratera, e optamos por fazer a trilha desse o ínicio, pois assim a experiência seria completa, caminhando desde o ponto onde a lava parou, passando por centenas de casas e ruas soterradas.

Na primeira etapa da subida, o cenário é de campos de lava, em meio a milhares de exemplares de “Purple Lupinus” , flor que se adapta perfeitamente a esse tipo de solo, uma paisagem fantástica.

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Lupinus, a flor que domina a Islândia

 

Logo já era possível ver exatamente a diferença dos 2 mundos. Do lado esquerdo, as pitorescas casas da ilha, e do lado direito, o rastro de destruição causado pela erupção.

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A medida que subimos, o contraste entre as casas e a destruição se torna mais evidente
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Esse painel mostra uma foto da ilha antes da erupção. Impossível não se emocionar.

Logo chegamos na parte inferior da cratera. Daqui, temos que contornar pela direita, margeando a cratera, até chegar na parte superior, que é o cume da montanha.

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A parte inferior da cratera do Eldfell
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Experiência de valor inestimável que convida a refletir sobre Deus, o sentido da vida, e as forças humanas e da natureza.

Obviamente nos preparamos para a viagem e já havíamos estudado sobre a Islândia, como o tempo poderia mudar rapidamente, mas nos instantes que se seguiram a essa foto, tivemos uma “aula prática” e aprendemos um pouco mais a respeitar as forças da natureza. O tempo que estava agradável mudou drasticamente, uma nuvem cobriu toda a montanha com ventos fortes, e uma pequena tempestade tomou conta do lugar exatamente quando chegamos na cratera.

Karlla ficou um tanto nervosa, havia um abismo por trás da cratera e a visibilidade era péssima.  Nesse momento foi muito importante toda a experiência que acumulei nesses anos em toda espécie de trilhas, consegui acalmá-la e controlamos a situação. As fotos a seguir foram feitas já em um local seguro, quando as condições já haviam melhorado, mas dão uma noção da mudança no clima.

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Nuvem cobriu repentinamente a montanha
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Opa. Cadê a cidade que estava aqui?

O tempo foi melhorando e descemos por outro caminho, que conduzia ao centro da cidade. Pela trilha, há placas e painéis informativos. Na foto a seguir, podemos ver “Austurvegur”, uma das muitas ruas que foram completamente soterradas pela erupção. E na sequência, o endereço “Kirkjubæjarklaustur 17”, uma casa que ficou exatamente no limite do fim do campo de lava. Foi soterrada parcialmente e depois reconstruída.

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Placa a direita indicando “Asturvegur”, rua que foi completamente soterrada pela erupção.
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Painel mostrando as diversas fases da casa “Kirkjubæjarklaustur 17”

Viajar também é ter que lidar com tantas emoções intensas e despedidas. Minha vontade era ficar mais tempo ali, há muito mais por conhecer na ilha, e quero muito voltar outra vez e ficar pelo menos uns 3 dias. Mas em um país tão fantástico, eu havia programado outras aventuras, já era hora de dizer adeus. Até a próxima!

Acompanhe nossas aventuras em tempo real pelo instagram khalilstromboli. Esse ano ainda vamos mergulhar em Fernando de Noronha, fazer safári na África do Sul e subir vulcões na Guatemala. Aproveite também para assistir o vlog no youtube!

 

 

 

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